quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os sentimentos

É incrível como a vida nos proporciona momentos em que não adianta com quem estamos, eles serão somente nossos. Não adianta estar cercado de gente que você gosta, de gente com quem você se sente protegido, que eles estarão lá: os momentos individuais.

Você está profundamente triste, acontece dificuldades na sua vida, e você não consegue resolver. A única coisa que vem na sua cabeça é a vontade de chorar. Não adianta.
Você pode estar abraçado a um policial, ou a sua mãe, ou com o grande amor da sua vida: suas lágrimas vão rolar, vai doer da mesma forma e você não conseguirá impedir isso. Suas lágrimas são só suas e de mais ninguém. Não existe essa de dividir a dor. A dor é única, pessoal e intransferível. Ela é só sua. Você pode encontrar alguém que sofra junto contigo. Agora sofrer por você, ou sofrer 50% da tua dor, pra te ajudar, infelizmente não rola.
Você precisa estar forte, preparado, porque a dor é pesada, não perdoa, deixa marcas e uma hora ou outra, vai te encontrar.
Todas as pessoas têm problemas pra resolver, ou solucionar, e a sensação de que não existe nada pendente logo passa e é substituída por algo chato que acabamos lembrando ou que acaba acontecendo.
É, por falar em lembrança, esse é um momento só seu também.

Não adianta. Você pode estar no meio da final entre Brasil e Alemanha, no Maracanã lotado, que se for pego por alguma lembrança, ela será só sua.
Você pode compartilhar a memória com outras pessoas. Mas ela continuará sendo inteiramente tua. E se as lembranças não forem boas, te prepara. Você vai se sentir estranho, mal, vai querer parar de lembrar, mas isso será um fio solto num casaco de lã. Quanto mais você não quiser lembrar, mais acabará lembrando. E as pessoas ao seu redor não se sentirão como você. Porque aquela determinada lembrança não tem pra você a mesma importância que tem pros outros. Ela é todinha tua, da forma como tu sentes.

Se você não gosta dessa idéia de ter sensações sozinho, então é bom nem procurar ficar doente. É uma coisa que você não pode dividir com ninguém. Você pode estar com febre e ter 20 pessoas à sua volta com febre também, que os teus sintomas serão horríveis. Aquilo é só teu, não adianta. Cabe a você buscar a sua recuperação. O apoio alheio é fundamental, mas só você tem o alívio quando está curado. A sua felicidade não tem preço, se comparada a dos que te queriam bem e sadio. Você pode compartilhar as experiências, os momentos, os fatos.
As sensações, infelizmente não.
Nossa, essa vida solitária me dá medo às vezes.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Perder

A perda é uma das coisas mais naturais que podem vir a nos acontecer. Geralmente, não vem acompanhada de felicidade. Na verdade, é sempre o oposto da alegria. Nós perdemos ou deixamos de ganhar algo (ou alguém estimado) e nunca ficamos contentes imediatamente. Talvez nunca mesmo.

Se relacionada às palavras vitória, meta, busca, a perda é inevitável em vários momentos e deve ser aceitada e tomada como uma coisa comum. Nunca estamos prontos para perder, sempre temos a ambição da conquista. Mas infelizmente tombos acontecem. Os maiores inventores da história já perderam bastante tempo com suas criações e muitas vezes não conseguiram atingir suas metas.

A derrota é necessária para que se sinta a importância e o valor da vitória. Quem nunca perdeu na vida, nunca saberá o quanto é sofrido conquistar algo. E não existe pessoa que viva perdendo. Há sempre o momento de vencer, desde que haja perseverança. Vá lá, ou vai dizer que você nunca ganhou nada nadinha na vida? Atenção, saiba interpretar as coisas como vitórias também, não basta apenas reclamar. Um emprego, uma promoção, uma prova difícil, um sorteio, um bingo na igreja, uma rifa, um elogio, sucesso numa paquera desejada... Há várias e várias coisas que conquistamos todos os dias e só não damos valor porque estamos ocupados sempre querendo o mais difícil. Tudo bem, essa é uma condição inerente ao Ser Humano, mas saiba enxergar as coisas que já possui também.

A perda é sim necessária e ela acontece pra todo mundo, isso é um fato. Ainda mais se a associarmos a um fator sobre o qual não temos poder e que faz parte da existência de qualquer um: a morte. Quem nunca perdeu um familiar, se prepare porque um dia irá perder. Não, não vou romantizar o assunto, porque minha visão sobre as coisas não se dá de maneira romântica, aliás, a vida não é romântica (é lógico que não é por isso que não devamos sonhar).

A perda de uma pessoa querida deve doer muito. Digo "deve doer" porque ainda não fui submetido a essa experiência, e é claro que não estou preparado para passar por isso. Na verdade, nós nunca estamos. Mesmo se a pessoa que morre é uma pessoa que já vivia doente, aceitar que aquela vida não existe mais entre nós é quase impossível. É como se estivessem arrancando um órgão nosso.

Perder alguém que nos é tirado de uma forma injusta é horrível, mas é a vida. Repleta de perdas, mas também repleta de ganhos. Ou vai me dizer que não é maravilhoso quando nasce um bebê lindo ou quando você conhece uma pessoa adorável? Continuemos, então, as apostas, porque no jogo da vida tudo é possível.

Transformações

Tô muito afim de falar de transformação. Todo mundo passa por alguma na vida, seja a biológica, seja a psicológica. Acredito que a todo momento estamos nos transformando. Até mesmo aquela senhora casada há 25 anos, que tem uma rotina dramática com o marido e filhos. Ela também passa por transformações, mesmo que não as cumpra.

É nesse ponto que queria tocar. As transformações nos são impostas a todo tempo, porém muitas vezes não a percebemos. Ou até temos chance de mudar, mas não queremos. A negação à mudança natural é um recuo. Não apenas deixamos de mudar, como acabamos regredindo um passo e voltando uma etapa superimportante de nossas vidas: o amadurecimento.
Toda transformação traz um amadurecimento que nos é necessário para enfrentar novos desafios, ou até os antigos, de forma nova. Li uma vez a frase: "Não existe um novo caminho; o que existe é uma nova forma de caminhar."

Nenhuma mudança é absoluta e totalmente nova. É tudo transformação de um ponto que já existiu em algum momento. É o ciclo natural da vida. Basta que estejamos abertos a essa etapa, a de nos recriar e abrir os olhos de uma forma diferente. Se te falta algo, com certeza, é porque te falta um olhar diferente sobre todas as coisas. Às vezes determinado objeto só não chega às nossas mãos, porque estamos abrindo-as na direção diferente.

Me encontro em uma puta fase de transformação, bem no meio dela, e eu percebo. Só que é muito doloroso. Mudança sempre é. Passamos a nos acostumar com ares novos, temperatura nova e moldes novos. Quando temos um lápis que vai ficando com a ponta gasta, vamos vendo que a escrita dele já não é tão clara, embora saibamos que ele tem todo o potencial. Então vamos lá e apontamos o lápis. A escrita se renova, parece mais nítida e bela, com o mesmo tubo de grafite! Para apontar o lápis há um sofrimento, há perda de sua matéria-prima.

É assim com a gente. Toda vez que mudamos, precisamos deixar algo para trás. Velhos hábitos, velhas rotinas, velhos pensamentos, e infelizmente às vezes algumas pessoas também precisam ficar para trás. Não acredito que devamos mudar nossos sonhos, aliás, pelo contrário: as mudanças devem ser em busca dos nossos sonhos, mesmo que este sonho seja simplesmente ser feliz (o que na verdade nem é tão simples assim!).

É importante estabelecer diretrizes e avançar avidamente em busca delas. Caminhar e não cessar. Caminhar com sapato novo, solado novo, sempre buscando trocar, para não cansar. É é isso que quero pra mim hoje: andar.

A dor em mim está muito grande, mas estou aprendendo. Tenho certeza que sim. É o momento que mais me sinto aprendendo. Que no futuro eu saiba utilizar esta minha vivência de hoje em busca de algo bom, ou pra ajudar alguém.
Mudar significa evoluir. É esse o sentido da vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Amizade

Então, hoje eu estava lendo algumas coisas antigas minhas, como Fotologs e Blogs do tempo em que minha vida era só depressão (rs), daí achei um texto interessante que eu mesmo escrevi e publiquei no ano passado. Vou postar agora, e daqui a pouco posto mais coisas. Hoje acordei com vontade disso. E como não há limite de postagens aqui, irei abusar. Leiam e reflitam. Ou apenas leiam. =)


“Eita, só eu mesmo pra vir aqui falar de uma coisa tão complexa, tão difícil e ao mesmo tempo tão bonita, tão tenra, tão terna.


Amigos são aquelas pessoas que você tem o maior orgulho em apresentar pros seus pais, pros seus relacionamentos afetuosos e até mesmo pra outros amigos. São aquelas pessoas que te ligam cobrando sua presença, que ligam pra chorar pra você (e acredite, só farão isso pra você), pra conversar, ou só pra ouvir sua voz e rir de baboseiras. São pessoas que adoram sua companhia, que inventam festas, baladas, e "sessão cinema em casa" só pra estar sempre perto de você. São pessoas de riso fácil, de confiança, pessoas que te ouvem mesmo que não tenham nenhuma palavra de conforto.

São pessoas pra quem você pode contar todos os seus problemas, pra quem você pode ser você mesmo, pra quem você pode arrotar, pra quem você pode aparecer com remelas, desgrenhado ao acordar. São pessoas que não te pedem favores, são pessoas que te pedem coisas porque sabem que contam contigo. São pessoas que não gostam de algumas outras pessoas com quem você se diverte simplesmente por ciúmes. Pessoas que se tivessem tesão por você até casariam contigo.

Gente que critica o seu gosto musical sem ter medo de parecer ignorante, gente que repara quando você comprou roupa nova, gente que não pede pra usar o banheiro da sua casa, gente que fala mal do seu novo corte de cabelo, gente que talvez nem tenha a intimidade de te abraçar, mas tem a intimidade de criar novos apelidos pra você a cada encontro.

Gente com quem você brigará diversas vezes. Gente que te decepcionará algumas vezes, mas que te fará feliz várias outras. Gente sem noção, que não percebe se incomoda, mas que ama muito poder compartilhar de momentos com você.

Gente pra toda a vida, por quem você daria até a sua.
Me orgulho muito dos amigos que tenho. São meus e eu sou deles. Deus quis assim e eu O agradeço."
(Postado no blog "• Minhα própriα lυz •*", em 5 de julho de 2008).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O coração


É difícil dizer quando o coração resolver ter vontade própria. Ele sai desembestado batendo por aí e você não consegue segurá-lo. Ele faz uma tremenda merda, um tremendo estrago, acaba tentando esquecer quem não devia, e vai se encantando por gente diferente, gente que não pode. É o coração.

O problema é explicar pra ele que ele tem que obedecer a você. Ele não consegue entender. Chora sozinho, você tenta consolá-lo e mesmo assim ele sofre de uma maneira que nenhum outro membro do corpo consegue reagir. Ele faz confusões até com aquele que deveria ser o mais sóbrio de todos: o cérebro. Ele começa a querer tirar a razão do cérebro e comandar os teus próximos movimentos.

Ele te causa sofrimento, porque é sempre imaturo. Não é estável, está sempre batendo, sempre em movimento, sempre bombeando sangue novo, querendo ares novos. A rotina, sempre a mesma. Só que cada vez um fluxo novo passa por ele, e de uma forma nova. Sístoles e diástoles que não têm fim. E isso te domina de uma certa forma que você se sente um bobalhão todas as vezes que sente ele bater mais forte, mesmo sendo em função da mesma pessoa novamente.

Quando é alguém novo, o coração é como um programa de computador, ou como um sofá novo: demora a se adaptar com o novo usuário, mas depois acaba cedendo e tornando-se confortável para o uso. Quando quebra é que nem ovo no chão. Faz uma sujeira na tua vida, e mesmo que limpe, ainda fica lá o cheiro daquilo que quebrou. Com o passar do tempo o cheiro some de vez, ou então você acaba se acostumando com ele.

Nossa, como é complicado conviver com essa pequena maquininha dentro de nós. Ainda mais quando ela adquire poder próprio.

Novo lar

Estreiando o Blog em casa nova. Acho que o Blogspot dá menos trabalho, tem mais acessibilidade, há mais Widgets disponíveis, mais layouts, enfim. Por uma série de motivos.
Já já posto mais aqui. :)